Aos Contadores de Estórias
"Do fundo da terra, de um lugar onde as raízes das árvores se entrelaçam e acariciam interminavelmente, vozes sussuram a urgência das palavras que há tanto silenciadas explodem agora, oportunas e belas... inadiáveis! Nesse lugar fundo, que habita em todos nós, moram todos os segredos da humanidade, todas as respostas que esquecemos de escutar.
Quando os Contadores de Estórias se desdobram em mil gestos e "stacatos" de suspiros, para fazer-nos relembrar os universos mágicosque contemos, rendemo-nos extasiados ao manancial infinito de emoções que afinal já possuímos, embora adormecidos nos túmulos recônditos da memória ancestral.
Os Contadores querem ajudar-nos a lembrar as nossas raízes, aquelas que nos ligam à pura natureza selvagem, qual lobos fiéis aos seus instintos, movendo-nos com a cautela de quem já viu o que está para vir... e sabe atacar o momento de ser total.
Temos de negar a tempo o predador que nos enfraquece. Contorná-lo, num bailado sem ensaio mas, com a destreza e clarividência de um felino.
Tal como os animais vivem harmonizados com o seu instinto (e a mente não é mais que o estabilizador de corrente desse instinto), tamb+em nós nos devemos ligar urgentemente a essa fonte intuitiva.
"Aquele que tudo sabe" que mora dentro de nós, possui a dualidade perfeita de todo o universo: o negro e a luz, o partir e o chegar, o de cima e o de baixo, o que inicia e o que termina, o masculino e o feminino, embora tudo seja parte da mesma espiral infinita.
"Aquele que tudo sabe" que mora dentro de nós, desafia-nos os sentidos a cada segundo, obrigando-nos a consciencializar o quanto somos exímios na arte de recordar o que sabemos. Mas, mesmo assim, embalados por essa sabedoria protectora e maternal do Espírito Selvagem, continuamos cegos, pelo medo que nos invade, quando confrontados com o paradoxo da pequenez e da grandeza do que somos..."
Andanças, Elisa Hoffman


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